O próximo hard fork da Cardano, programado para acontecer por volta de 29 de maio, chega em um momento delicado para a rede. O mercado cripto já não recompensa projetos blockchain apenas por seus roteiros técnicos. Hoje, os investidores esperam desenvolvedores ativos, aumento de liquidez e aplicações com uso real. Essa mudança colocou a Cardano sob pressão crescente, já que a fraca atividade DeFi da ADA continua atrás de ecossistemas concorrentes.
Segundo a fonte, a atualização Protocol Version 11 da Cardano, chamada Van Rossem, traz scripts Plutus mais baratos, uma infraestrutura criptográfica mais forte e melhorias de governança projetadas para ajudar a rede a competir de forma mais agressiva com Ethereum e Solana. Ainda assim, o sucesso do hard fork da Cardano pode depender menos da engenharia e mais da chegada efetiva de desenvolvedores e usuários.
Atrasos no Ogmios Transformam o Hard Fork da Cardano em um Teste de Governança
O hard fork da Cardano já concluiu a fase da testnet Preview no início deste mês, mas ainda existem incertezas sobre o lançamento final. A Intersect apresentou a ação de governança para ativação da PreProd em 8 de maio. No entanto, o Hard Fork Working Group recusou-se a ratificar totalmente a proposta devido a preocupações relacionadas à prontidão do Ogmios.
O Ogmios funciona como uma camada crítica de infraestrutura que conecta carteiras, aplicativos descentralizados e ferramentas de desenvolvimento à blockchain da Cardano. Se a preparação do Ogmios continuar atrasando, a meta de 29 de maio poderá ser adiada. Esse risco transformou o hard fork da Cardano em um verdadeiro teste de coordenação de governança em tempo real dentro do modelo Conway da rede.
Atualmente, a rede ainda permanece em modo de transição de governança. Pelas regras atuais, apenas operadores de stake pools e o Comitê Constitucional podem votar na atualização, enquanto os DReps ainda estão temporariamente excluídos do processo.
Atualizações do Plutus e ZK Buscam Fortalecer a Infraestrutura DeFi da ADA
A versão Van Rossem introduz as modificações mais profundas já feitas no Plutus. As funções integradas agora operam nos ambientes Plutus V1, V2 e V3, permitindo que desenvolvedores criem aplicações com custos menores de execução e funcionalidades mais consistentes.
O hard fork da Cardano também adiciona o CIP-133, que traz suporte à multiplicação multi-escalar BLS12-381. Esse recurso criptográfico é essencial para provas de conhecimento zero, sistemas de privacidade e ferramentas de verificação cross-chain. Os testes mostraram que operações MSM envolvendo 10 pontos G1 consumiram aproximadamente 7,74% do orçamento computacional de uma transação, enquanto operações acima de 129 pontos ultrapassaram o limite permitido para uma única transação.
Ao adicionar MSM como uma função nativa integrada, a Cardano espera que desenvolvedores consigam criar aplicativos descentralizados focados em privacidade de forma mais eficiente. Segundo relatórios recentes do ecossistema, essas melhorias já estão conectadas ao verificador Halo2-Plutus e ao roadmap da ponte ZK Midnight-Cardano dentro da estratégia mais ampla da Cardano para infraestrutura de conhecimento zero.
Outra adição importante chega com o CIP-109 de exponenciação modular. Atualmente, cálculos criptográficos consomem entre 5% e 9% do orçamento de CPU da Cardano. A nova implementação reduz o tamanho das transações e os custos de execução para aplicações criptográficas complexas.
Os apoiadores acreditam que essas ferramentas podem futuramente impulsionar o crescimento do DeFi da ADA ao oferecer uma infraestrutura mais barata e escalável para desenvolvedores.
A Falta de Uso da Cardano Ainda Ofusca a Atualização
Apesar do avanço técnico, a fraca atividade DeFi da ADA continua sendo o maior problema da Cardano. Atualmente, a rede possui cerca de US$ 129 milhões em valor total bloqueado (TVL), enquanto Solana ultrapassa US$ 6 bilhões e Ethereum se aproxima de US$ 43 bilhões.
A liquidez em stablecoins também continua limitada. O mercado de stablecoins da Cardano gira em torno de US$ 46,7 milhões, restringindo a capacidade do ecossistema de sustentar empréstimos, negociações e atividades de liquidez descentralizada. Analistas que acompanham métricas on-chain continuam apontando esse desequilíbrio como uma das maiores fraquezas da rede.
A diferença de valorização cria ainda mais pressão. A Cardano negocia próxima de uma relação market cap/TVL de 72x, enquanto Solana está perto de 8x e Ethereum ao redor de 6x. Isso deixa pouca margem para decepções caso o hard fork da Cardano não consiga gerar adoção mais forte.
As redes Layer 2 do Ethereum também continuam aumentando a pressão competitiva. Segundo dados do L2BEAT, os ecossistemas Layer 2 do Ethereum já protegem cerca de US$ 40,3 bilhões em valor, com os rollups representando quase US$ 33,5 bilhões desse total. Esse domínio mostra como a infraestrutura blockchain escalável está evoluindo rapidamente fora do ecossistema da Cardano.
Conclusão
O hard fork da Cardano chega como um marco técnico e também como um teste de credibilidade. O Van Rossem apresenta infraestrutura criptográfica mais robusta, execução de contratos inteligentes mais barata, melhorias de coordenação de governança e maior segurança para a rede. Porém, o mercado cripto moderno recompensa cada vez mais a execução prática do que apenas a ambição técnica.
Se os desenvolvedores adotarem essas ferramentas e a atividade DeFi da ADA crescer, a Cardano poderá fortalecer sua posição na economia blockchain em evolução. Caso a adoção continue lenta, a atualização corre o risco de se tornar mais uma entrega tecnicamente avançada esperando que usuários e liquidez finalmente acompanhem.
Glossário de Termos Principais
Plutus: Plataforma de desenvolvimento de contratos inteligentes da Cardano.
TVL: Valor total bloqueado em aplicações de finanças descentralizadas.
Provas de Conhecimento Zero: Sistemas criptográficos que preservam privacidade enquanto verificam informações.
VRF Key: Chave de validação usada pelos stake pools da Cardano.
Rollups: Sistemas Layer 2 do Ethereum criados para melhorar escalabilidade e reduzir custos.
Perguntas Frequentes Sobre o Hard Fork da Cardano
O que é o hard fork da Cardano?
É a próxima atualização Protocol Version 11 da Cardano, focada em governança, segurança e melhorias nos contratos inteligentes.
Por que o Ogmios é importante?
O Ogmios ajuda carteiras e aplicativos descentralizados a interagirem com a infraestrutura blockchain da Cardano.
Por que o DeFi da ADA ainda é fraco?
A Cardano ainda enfrenta dificuldades relacionadas à liquidez, oferta de stablecoins e atividade de usuários quando comparada ao Ethereum e Solana.
Qual o papel das ferramentas de conhecimento zero?
Elas oferecem suporte para aplicações de privacidade, verificação cross-chain e infraestrutura blockchain escalável.
