A tokenização de participações privadas está rapidamente se consolidando como um dos casos de uso mais fortes da tecnologia blockchain no setor financeiro tradicional. Embora os mercados de criptomoedas frequentemente dominem as manchetes, algumas das transformações mais significativas estão acontecendo nos bastidores.
- Um mercado pré-IPO em expansão cria nova demanda
- Como funciona a plataforma de tokenização de participações privadas do Citi
- Por que a SDX e a Corda são mais importantes do que muitos imaginam
- A tokenização de ativos do mundo real está se tornando o próximo campo de batalha de Wall Street
- Conclusão
- Glossário de Termos Importantes
- Perguntas Frequentes sobre Tokenização de Participações Privadas
A mais recente iniciativa do Citi mostra que as grandes instituições financeiras já não estão apenas experimentando a tokenização. Elas estão construindo infraestrutura real para sustentar o futuro dos investimentos.
Segundo a fonte, o Citigroup firmou uma parceria com a SDX, divisão de ativos digitais da SIX Swiss Exchange, para lançar uma plataforma que permitirá a tokenização e a negociação de ações de empresas privadas em estágio avançado de crescimento. O projeto é direcionado a investidores institucionais e qualificados que desejam exposição a empresas privadas que permanecem fora das bolsas de valores por períodos mais longos.
Um mercado pré-IPO em expansão cria nova demanda
A lógica por trás da tokenização de participações privadas é simples. Empresas como SpaceX e Anthropic estão adiando suas ofertas públicas iniciais (IPOs) enquanto continuam aumentando seu valor de mercado. Como resultado, investidores buscam maneiras de obter exposição a essas empresas antes que elas eventualmente se tornem públicas.
O Citi estima que o mercado de empresas privadas em estágio avançado pré-IPO já tenha alcançado aproximadamente US$ 75 bilhões. No entanto, as negociações nesse segmento ainda costumam ser lentas, fragmentadas e de difícil acesso. O banco também revelou que já está em conversas com algumas das maiores empresas privadas do mundo, que poderão participar da plataforma no futuro.
À medida que investidores institucionais procuram novas oportunidades além dos mercados públicos, a tokenização de participações privadas surge como uma solução para desafios históricos de liquidez.
Como funciona a plataforma de tokenização de participações privadas do Citi
Em vez de emitir ações tokenizadas diretamente, o Citi criará recibos depositários tokenizados autorizados, respaldados pelos valores mobiliários das empresas privadas subjacentes. O banco atuará tanto como custodiante quanto como agente de tokenização, mantendo os ativos originais sob custódia enquanto os investidores negociam suas representações digitais.
Inicialmente, a plataforma estará disponível apenas para investidores institucionais e qualificados estrangeiros. Os investidores dos Estados Unidos deverão ter acesso em uma fase posterior, após o cumprimento dos requisitos regulatórios necessários.
A distribuição dos ativos no lançamento será realizada por meio do Sygnum Bank, sediado na Suíça, e da SBI Digital Markets, em Singapura. Essa estrutura oferece aos investidores institucionais da Europa e da Ásia um caminho regulado para acessar oportunidades de tokenização de participações privadas.
Por que a SDX e a Corda são mais importantes do que muitos imaginam
A plataforma opera sobre o ledger distribuído permissionado Corda, da R3, por meio do Digital Central Securities Depositary da SDX. Diferentemente das blockchains públicas, uma rede permissionada restringe o acesso apenas a participantes autorizados e atende aos requisitos de conformidade exigidos por instituições financeiras reguladas.
A liquidação das operações ocorre através do Digital Central Securities Depositary da SDX, uma camada de infraestrutura regulada que faz parte do ecossistema financeiro do SIX Group. Isso permite que os ativos tokenizados funcionem dentro das estruturas financeiras existentes, e não fora delas.
Atualmente, negociações de participações em empresas privadas frequentemente exigem extensa documentação e podem levar semanas para serem concluídas. Segundo o Citi, as transações realizadas pela SDX podem ser liquidadas quase instantaneamente.
Artem Korenyuk, executivo do Citi, resumiu essa visão ao descrever um futuro em que ações de empresas privadas estarão “ao lado das ações da Apple” dentro dos portfólios dos investidores. Essa simples declaração revela o objetivo maior da tokenização de participações privadas: tornar ativos alternativos tão acessíveis quanto investimentos tradicionais.
A tokenização de ativos do mundo real está se tornando o próximo campo de batalha de Wall Street
O movimento do Citi reflete uma mudança muito mais ampla em direção à tokenização de ativos do mundo real (RWA Tokenization). Em seu relatório Tokenization 2030, o banco projeta que o mercado de ativos tokenizados poderá crescer dos atuais US$ 17 bilhões para US$ 5,5 trilhões até 2030. Dependendo da evolução regulatória, as estimativas variam entre US$ 2,7 trilhões e US$ 8,2 trilhões.
Apesar da demanda institucional inconsistente observada em alguns segmentos de ativos digitais nos últimos meses, o Citi continua investindo fortemente em infraestrutura de tokenização. O banco parece enxergar essa tendência como uma transformação estrutural de longo prazo, e não como uma oportunidade passageira.
A concorrência também está se intensificando. JPMorgan, Bank of America e Citi estão desenvolvendo conjuntamente uma rede de depósitos tokenizados por meio da The Clearing House, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2027.
A iniciativa busca oferecer uma alternativa apoiada por bancos aos sistemas de liquidação baseados em stablecoins. Ao mesmo tempo, a NYSE pretende lançar uma plataforma de valores mobiliários tokenizados, enquanto a DTCC já realizou operações limitadas envolvendo ativos tokenizados em ambiente de produção.
Wall Street já não está apenas testando a tokenização em projetos-piloto. Agora, está construindo infraestrutura pronta para uso em larga escala.

Conclusão
O mais recente lançamento do Citi demonstra como a tokenização de participações privadas e a tokenização de ativos do mundo real estão avançando rapidamente para o centro do sistema financeiro.
Ao combinar custódia regulada, recibos depositários tokenizados, liquidação quase instantânea e infraestrutura institucional robusta, o banco está criando uma nova porta de entrada para os mercados privados.
À medida que a acumulação corporativa de criptomoedas desacelera, muitas instituições estão explorando investimentos em mercados privados em busca de maiores retornos e diversificação.
O resultado pode transformar a forma como investidores acessam o private equity e acelerar a adoção das finanças tokenizadas nos próximos anos.
Glossário de Termos Importantes
Tokenização de Participações Privadas: Processo de converter participações em empresas privadas em ativos digitais baseados em blockchain.
Tokenização de Ativos do Mundo Real (RWA): Conversão de ativos reais, como títulos, fundos e imóveis, em tokens digitais negociáveis.
Recibo Depositário Tokenizado: Ativo digital respaldado por valores mobiliários mantidos sob custódia.
Blockchain Permissionada: Rede blockchain que permite participação apenas de entidades previamente autorizadas.
Mercado Pré-IPO: Mercado onde investidores compram e vendem ações de empresas privadas antes de sua abertura de capital.
Perguntas Frequentes sobre Tokenização de Participações Privadas
O que é a tokenização de participações privadas?
É o processo de transformar participações em empresas privadas em ativos digitais baseados em blockchain, permitindo negociações mais eficientes.
Por que o Citi utiliza recibos depositários tokenizados?
Porque eles oferecem exposição regulada a ações de empresas privadas, enquanto o Citi mantém a custódia dos ativos subjacentes.
Quem pode acessar a plataforma do Citi?
Inicialmente, apenas investidores institucionais e qualificados fora dos Estados Unidos.
Por que a tokenização de ativos do mundo real é importante?
Porque pode aumentar a eficiência, a transparência, a liquidez e a velocidade de liquidação nos mercados financeiros.
