Este artigo foi publicado pela primeira vez na Deythere.
As saídas de recursos dos ETFs de Bitcoin estão, silenciosamente, reformulando a narrativa institucional em torno dos ativos digitais. O ritmo das retiradas já não pode ser ignorado. O que antes parecia uma ponte triunfante entre o universo cripto e Wall Street agora enfrenta um teste prolongado de resistência, um momento que pode redefinir a confiança do mercado antes do próximo ciclo de halving.
De acordo com a fonte, os fluxos líquidos acumulados nos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos atingiram um pico próximo de US$ 63 bilhões em outubro. Hoje, esse número gira em torno de US$ 53 bilhões, após aproximadamente US$ 8,66 bilhões em retiradas. Esse dado principal, no entanto, esconde uma mudança mais profunda. As saídas de ETFs de Bitcoin ocorreram em 55 dos últimos 89 dias de negociação, revelando uma pressão constante, e não apenas uma saída pontual.
Quando os números contam outra história
A dimensão das saídas fica mais clara quando analisada no ritmo diário. Distribuídos ao longo de 89 pregões, os US$ 8,66 bilhões representam cerca de US$ 90 milhões deixando esses fundos por dia. É esse número que sustenta grande parte das preocupações sobre sustentabilidade.
O total de ativos sob gestão (AUM) no conjunto dos ETFs de Bitcoin está próximo de US$ 98,33 bilhões. Se o ritmo atual de saídas continuar, um cálculo simples projeta cerca de 1.011 dias de negociação até que esses ativos, teoricamente, se aproximem de zero, o que nos levaria ao início de 2030. Embora os mercados raramente sigam linhas retas, essa projeção mostra como retiradas constantes se acumulam ao longo do tempo.
A pressão vai além do total sob gestão. Se dividirmos os US$ 53 bilhões restantes em fluxos líquidos acumulados pelo mesmo ritmo diário de US$ 90 milhões, o resultado sugere que o saldo líquido poderia zerar em cerca de 590 dias de negociação, pouco depois do próximo halving, previsto para meados de 2028.
O Halving de 2028 encontra a realidade institucional
O próximo halving do Bitcoin é esperado por volta de abril de 2028, aproximadamente 558 dias de negociação à frente. Caso as saídas persistam sem entradas significativas, os ativos sob gestão podem cair para cerca de US$ 44 bilhões até lá. Considerando um preço do Bitcoin na faixa dos US$ 60 mil, isso representaria aproximadamente 662 mil BTC ainda mantidos dentro das estruturas de ETF.
Uma redução desse porte mudaria o cenário de oferta justamente na entrada de uma fase historicamente otimista para o mercado. Assim, as saídas de ETFs de Bitcoin passam a interagir diretamente com as expectativas do halving, criando uma disputa entre o aperto na oferta e a retirada institucional.
Um analista de ETFs bastante citado observou recentemente que os fluxos acumulados continuam “surpreendentemente grandes”, destacando que boa parte do capital permaneceu investida apesar da volatilidade. Essa visão ajuda a equilibrar o debate, mas não elimina a tendência observada.
Liquidez se concentra nos maiores fundos
Uma análise mais detalhada mostra que o capital tende a se concentrar nos maiores produtos em momentos de incerteza. O IBIT lidera com cerca de US$ 57,01 bilhões sob gestão, enquanto FBTC e GBTC administram aproximadamente US$ 13,94 bilhões e US$ 12,58 bilhões, respectivamente. BITB e ARKB possuem cerca de US$ 5,79 bilhões e US$ 5,36 bilhões. Produtos menores, como HODL, EZBC, BTCO, BTCW e BRRR, permanecem abaixo de US$ 1,5 bilhão.
Esse movimento sugere que investidores priorizam escala e liquidez quando o apetite por risco diminui. Ao mesmo tempo, a exposição a futuros em uma grande bolsa de derivativos dos EUA caiu quase dois terços desde o pico no fim de 2024, reforçando a redução da alavancagem institucional.
Outro sinal apareceu nos spreads de preço. A Coinbase, principal plataforma dos EUA, passou a negociar com desconto em relação à Binance, um padrão geralmente associado à pressão vendedora doméstica. Como destacou recentemente um veículo financeiro ao analisar os fluxos de fundos, parte do capital migrou para títulos de renda fixa em meio à incerteza sobre juros, mostrando como fatores macroeconômicos influenciam as alocações em cripto.
Um placar público da confiança institucional
As saídas de ETFs de Bitcoin funcionam agora como um placar público da convicção institucional. Quando os números sobem, as manchetes celebram a adoção. Quando caem, o ceticismo ganha força. A transparência desses dados significa que o sentimento do mercado é atualizado diariamente, muitas vezes ampliando a volatilidade.
Apesar das saídas recentes, os fluxos acumulados permanecem positivos e os ativos totais ainda se aproximam de US$ 100 bilhões. Essa base é relevante, pois mostra que a participação institucional não desapareceu. No entanto, resgates prolongados poderiam alterar a narrativa de que o Bitcoin conquistou um espaço permanente nos portfólios tradicionais.
Conclusão
As saídas de ETFs de Bitcoin representam um raro momento em que matemática e psicologia se encontram. O ritmo diário de US$ 90 milhões, a projeção de 1.011 dias até 2030 e o teste do halving estruturam o debate de forma clara e objetiva. Os mercados evoluem, e a demanda institucional pode retornar conforme as condições mudem.
Por enquanto, esses fluxos oferecem uma métrica concreta do apetite de Wall Street pelo risco, lembrando que a convicção do mercado se move em ciclos. Se este período será apenas uma consolidação ou o início de uma erosão mais profunda dependerá de quando, e se os fluxos positivos voltarem a aparecer.
Glossário de Termos
ETF de Bitcoin
Fundo negociado em bolsa que acompanha o preço do Bitcoin e é negociado em mercados tradicionais.
Saídas de ETF de Bitcoin
Retiradas líquidas de investidores que reduzem os ativos mantidos nesses fundos.
Ativos sob Gestão (AUM)
Valor total de mercado dos investimentos administrados por um fundo.
Halving do Bitcoin
Evento programado que reduz pela metade a recompensa da mineração, diminuindo a oferta de novos Bitcoins.
Investidores Institucionais
Grandes entidades financeiras, como gestoras de ativos, fundos de hedge e fundos de pensão.
Perguntas Frequentes
Por que as saídas de ETFs de Bitcoin são importantes?
Porque revelam o sentimento institucional e podem indicar mudanças no apetite por risco no mercado.
Essas saídas podem realmente esvaziar os fundos até 2030?
Se o ritmo atual continuar sem interrupção, projeções indicam que isso poderia ocorrer nesse período.
Como as saídas afetam o preço do Bitcoin?
Resgates podem aumentar a pressão de venda, pois os fundos ajustam suas posições subjacentes.
As saídas podem se reverter antes do halving?
Historicamente, o sentimento pode mudar rapidamente, especialmente se as condições macroeconômicas melhorarem.
