Este artigo foi publicado originalmente na Deythere.
As manchetes sobre a queda do preço do Bitcoin dominaram as buscas globais depois que quase US$ 100 bilhões desapareceram do mercado cripto em um único fim de semana turbulento. Traders que esperavam dias tranquilos enfrentaram, em vez disso, uma tempestade política que avançou mais rápido do que a liquidez conseguia absorver. A queda abaixo de US$ 65.000 não foi apenas ruído técnico. Foi um sinal claro de estresse.
Segundo a fonte, a liquidação começou após mudanças repentinas na política comercial e decisões legais em Washington. Em poucas horas, posições alavancadas foram desmontadas, a confiança rachou e os níveis de suporte do Bitcoin enfrentaram seu teste mais difícil em meses.
Do Tribunal ao Caos: Como a Reviravolta Política Desencadeou a Queda do Bitcoin
A reação em cadeia começou em 20 de fevereiro, quando a Suprema Corte anulou tarifas impostas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A IEEPA permite ações econômicas emergenciais em casos de ameaças nacionais. Sua revogação removeu, da noite para o dia, uma importante estrutura tarifária.
A incerteza aumentou quando a Alfândega dos EUA informou que interromperia as cobranças às 12h01 (horário do leste) de 24 de fevereiro, mais de três dias após a decisão, sem oferecer orientação clara sobre possíveis reembolsos. Os mercados não lidam bem com zonas cinzentas. Esse atraso deixou importadores inseguros sobre fluxo de caixa e obrigações.
A Casa Branca reagiu rapidamente. O presidente Donald Trump invocou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 e impôs uma sobretaxa temporária de 10% sobre importações por 150 dias, posteriormente elevada para 15%. Em uma publicação pública, afirmou que o aumento se devia à “urgência da situação”. Autoridades também sinalizaram continuidade por meio das Seções 301 e 232.
Havia continuidade na política. O que faltava era clareza.
O mercado cripto precisou processar uma decisão judicial, uma suspensão adiada, um novo arcabouço tarifário e um aumento de taxa praticamente no mesmo ciclo. Mais de US$ 500 milhões em liquidações se seguiram, incluindo uma posição de US$ 61 milhões liquidada no par BTC-USDT, segundo dados de derivativos. A queda do Bitcoin se intensificou à medida que vendas forçadas alimentavam novas vendas.
O Estopim Macroeconômico Já Estava Aceso
A queda não atingiu um sistema calmo. O Índice de Incerteza de Política Econômica marcou 706,97 em 19 de fevereiro. O Índice de Incerteza de Política Comercial estava em 3.027,14433 no fim do ano passado. Esses números já mostravam um mercado nervoso.
Uma estimativa fiscal acadêmica sugeriu que reverter as tarifas da IEEPA poderia gerar até US$ 175 bilhões em reembolsos, enquanto a arrecadação tarifária vinha girando em torno de US$ 500 milhões por dia. Mudanças dessa magnitude afetam projeções do Tesouro e balanços de importadores.
Quando as premissas fiscais balançam, investidores exigem prêmios de risco maiores. Ativos alavancados se ajustam rapidamente. O mercado cripto costuma sentir esse impacto primeiro, pois negocia 24 horas por dia e mantém alta liquidez. Isso ajuda a explicar por que a queda do Bitcoin foi tão rápida.
A Inflação Não Foi a Vilã. A Incerteza Foi.
Alguns esperavam que as tarifas reacendessem temores inflacionários. No entanto, analistas de um grande banco americano estimaram que o repasse tarifário já havia elevado o núcleo do PCE em cerca de 0,7%, com apenas mais 0,1% esperado este ano. Essa análise indicou que a inflação não era o principal fator por trás do movimento.
Sinais de outros mercados confirmaram essa leitura. O dólar enfraqueceu, o ouro subiu e o Bitcoin caiu. Investidores trataram o criptoativo como um ativo de risco, não como refúgio. A queda refletiu incerteza e estresse de margem, não uma nova explosão inflacionária.
Dados de mercado em tempo real mostraram o Bitcoin caindo abaixo de US$ 65.000 antes de se estabilizar acima de US$ 66.000. O suporte em torno de US$ 65.000 enfraqueceu, enquanto opções de hedge se concentraram perto de US$ 60.000. Isso torna US$ 60.000 uma zona crítica de suporte caso as vendas continuem.
Conclusão
A recente queda do Bitcoin mostrou como a confiança pode desaparecer rapidamente quando a clareza política se dissolve. Quase US$ 100 bilhões evaporaram porque a sequência de decisões superou a capacidade do mercado de absorvê-las. Agora, os níveis de suporte carregam o peso da incerteza macroeconômica.
Três cenários estão no radar. Um cenário base de consolidação, com a sobretaxa temporária mantida e ruídos persistentes. Um rali de alívio pode surgir se houver clareza sobre reembolsos e limites de política. Já um conflito comercial mais amplo pode aprofundar o sentimento de aversão ao risco e pressionar novamente os suportes do Bitcoin.
As manchetes sobre a queda vão desaparecer. Mas a lição permanece: mercados desejam previsibilidade. Enquanto a volatilidade política continuar, a região dos US$ 60.000 será a linha que separa estabilização de novo estresse.
Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Os leitores devem realizar sua própria pesquisa e avaliar cuidadosamente sua situação antes de tomar qualquer decisão de investimento.
Glossário de Termos-Chave
IEEPA: Lei dos EUA que permite medidas econômicas emergenciais em caso de ameaças nacionais.
Suporte do Bitcoin: Nível de preço onde a demanda pode conter novas quedas.
Prêmio de Risco: Retorno adicional exigido por investidores para manter ativos voláteis.
Índice de Incerteza de Política: Indicador que mede instabilidade em políticas econômicas e comerciais.
Perguntas Frequentes Sobre a Queda do Bitcoin
Por que o preço do Bitcoin caiu após a decisão sobre tarifas?
Mudanças legais rápidas e a substituição das tarifas criaram incerteza, provocando liquidações em massa.
Qual é o principal nível de suporte agora?
Analistas observam US$ 65.000 e, principalmente, US$ 60.000 como zonas críticas.
A inflação causou a queda?
Os dados indicam que a incerteza política e o estresse fiscal foram os principais fatores, não um novo choque inflacionário.
O que pode acontecer agora?
O rumo dependerá da clareza das políticas e da força da demanda nos níveis de suporte.
