Este artigo foi publicado originalmente em Deythere.
A lista das 10 principais criptomoedas por capitalização de mercado (market cap) é frequentemente usada como uma régua básica para medir as moedas líderes do setor. O valor de mercado, calculado multiplicando o preço pelo suprimento circulante, é um método simples para classificar esses ativos.
No entanto, quando analisado apenas pelo valor nominal, esse dado pode ser enganoso. Por exemplo, duas criptomoedas com capitalizações de mercado quase idênticas podem ter suprimentos de tokens ou níveis de atividade na rede extremamente diferentes.
Por que, então, o market cap é tão utilizado, como ele pode distorcer o valor real e o que outras métricas revelam sobre as 10 maiores criptos?
Por que o Valor de Mercado é Usado e Onde Ele Engana
O método mais popular de classificar criptomoedas é pelo valor de mercado. É a conta básica: preço × suprimento circulante. Um market cap alto geralmente indica a popularidade ou o tamanho de uma moeda. Por ser simples, os analistas usam esse dado para organizar o “Top 10”.
Contudo, essa métrica tem limitações. Ela se baseia apenas nos tokens em circulação e não contabiliza o suprimento total ou máximo. Duas moedas podem ter um valor de mercado de 10 bilhões de dólares, mas uma pode ter 100 milhões de tokens e a outra 10 bilhões. O alto valor de mercado desta última é apenas o resultado de um número maior de moedas existentes.
Em termos simples, uma moeda com preço baixo, mas suprimento enorme, pode ocupar um lugar alto no ranking, mesmo que seu ecossistema seja pouco desenvolvido.
Isso pode confundir o investidor, pois um valor de mercado grande não implica necessariamente em adoção massiva da rede ou facilidade de negociação. Provedores de dados como o CoinMarketCap excluem tokens bloqueados ou de posse de fundadores do cálculo circulante, mas os métodos variam. Algumas plataformas contam qualquer token que não esteja com “insiders”, enquanto outras excluem tokens presos em programas de ecossistema. Essa inconsistência pode alterar os rankings.
Além disso, o market cap não reflete a liquidez. Um token com valor de mercado alto e baixo volume de negociação pode ser impossível de vender pelo preço cotado. Uma moeda pode parecer gigante no papel, mas ser impossível de negociar em grandes quantidades.
Muitas listas de Top 10 podem conter tokens ilíquidos. Para garantir que o valor de mercado é sustentado por atividade real, é preciso considerar o volume das últimas 24 horas e as pontuações de liquidez. Estar entre as 10 maiores é apenas um ponto de partida para a pesquisa, não uma recomendação. Em essência, embora o market cap ofereça uma visão rápida, não deve ser o único fator analisado.
Suprimento Circulante vs. Máximo: Por Que Isso Importa
O suprimento circulante de uma moeda é a quantidade de tokens disponíveis para o público no momento. Isso não inclui tokens bloqueados, reservados para desenvolvimento ou em mãos de fundadores.
Já o suprimento máximo ou total é o limite máximo de tokens que poderão existir. Nem todas as criptos possuem um teto fixo; algumas, como o Ethereum, não têm um máximo definido.
Por que isso importa para as 10 maiores? Se a maioria dos tokens não estiver em circulação, o valor de mercado atual pode ser muito inferior ao valor de mercado totalmente diluído (FDV).
Por exemplo: uma moeda que custa 1 dólar com 100 milhões em circulação tem um valor de mercado de 100 milhões de dólares. Mas, se o suprimento máximo for de 1 bilhão, sua avaliação totalmente diluída (FDV) será de 1 bilhão de dólares (1 bilhão de tokens × 1 dólar).
O FDV representa o valor da moeda se todos os tokens estivessem circulando. Uma grande diferença entre o valor de mercado e o FDV (como um FDV 10 vezes maior) indica risco de diluição futura; muitos novos tokens podem inundar o mercado após desbloqueios, o que geralmente ocorre em projetos com grandes reservas ou cronogramas de liberação longos.
Um exemplo prático foi o colapso da stablecoin UST da Terra. Para tentar manter o valor pareado ao dólar, a equipe emitiu novos tokens LUNA rapidamente, e o suprimento máximo saltou de 300 milhões para 6,5 trilhões em dias. Isso fez o preço desabar de 80 dólares para quase zero.
Ou seja, um aumento abrupto na oferta “vaporizou” o valor da LUNA, mesmo quando parecia que muitos detentores estavam “ricos” em termos de valor de mercado. É por isso que investidores atentos monitoram a relação entre o suprimento circulante e o máximo. Como regra geral, deve haver uma boa quantidade de tokens já circulando; caso contrário, desbloqueios futuros podem superar a demanda.
Em contrapartida, moedas como o Bitcoin têm limites rígidos (21 milhões), e outras possuem mecanismos de queima que reduzem a oferta. Para as stablecoins, o suprimento máximo costuma ser irrelevante, pois elas emitem ou queimam tokens para manter o valor pareado ao dinheiro comum (fiat).
Avaliação Totalmente Diluída (FDV): A Avaliação “Oculta” que Muitos Ignoram
O Fully Diluted Valuation (FDV) é uma métrica menos conhecida que pode revelar riscos escondidos. O cálculo é simples: preço × suprimento máximo. Ele estima qual seria o valor de mercado se todos os tokens fossem emitidos. O FDV é quase sempre maior que o market cap atual quando há muitos tokens bloqueados.
Por exemplo, se um token é negociado a 2 dólares e seu suprimento circulante é de 10 milhões, mas o máximo é de 100 milhões, o valor de mercado será de 20 milhões de dólares, mas o FDV será de 200 milhões.
Muitas pessoas ignoram o FDV porque ele não salta aos olhos em análises superficiais. No entanto, especialistas alertam que um FDV alto sinaliza inflação potencial. Novos desbloqueios aumentam a oferta sem gerar demanda imediata, forçando os preços para baixo. Se a diferença for grande, o preço pode ser fortemente diluído no futuro.
Em resumo, o FDV é um termômetro para a oferta antecipada. Se apenas uma pequena fração dos tokens de um projeto está no mercado e o restante está bloqueado com a equipe, o preço pode não se sustentar quando esses tokens forem liberados. Investidores inteligentes usam o FDV para evitar pagar caro por projetos cuja escassez atual é artificial.
Liquidez e Volume: A Realidade por Trás dos Rankings
Os rankings de valor de mercado pressupõem que um ativo pode ser comprado ou vendido pelo preço cotado, mas isso nem sempre é verdade. A liquidez — a capacidade de negociar sem alterar bruscamente o preço — é fundamental. Não importa se uma moeda tem um valor de mercado de 10 bilhões de dólares se ela movimenta apenas alguns milhares por dia; grandes ordens de compra ou venda fariam o preço oscilar violentamente.
A liquidez é medida por duas métricas: o volume de negociação em 24 horas e a profundidade do livro de ofertas. Se uma moeda no topo do ranking movimenta bilhões diariamente, sua posição é muito mais confiável do que uma com o mesmo market cap, mas com pouco volume.
Muitos sites de dados sinalizam moedas de baixo volume, às vezes ocultando aquelas com pouca negociação ou falta de suporte em grandes corretoras. É essencial checar se o ativo está em corretoras reputadas e se possui volume constante.
No Top 10, ativos como Ethereum e Tether possuem volumes diários gigantescos, o que significa liquidez profunda. Projetos como Cardano ou Dogecoin também costumam ter volumes respeitáveis. No entanto, novatos podem saltar para o topo brevemente devido a picos repentinos de preço com pouco volume, o que deve ser visto com ceticismo. Sempre compare o volume com o valor de mercado; o volume de 24 horas é o “teste de realidade” de qualquer ranking.
Stablecoins no Top 10: Por Que Elas Aparecem e Como Interpretá-las
É curioso notar como as stablecoins frequentemente aparecem entre as 10 maiores. Em 2026, nomes como Tether (USDT) e USD Coin (USDC) ocupam posições de destaque.
Essas moedas pareadas ao dólar são consideradas “grandes” porque são as principais portas de entrada e reservatórios de liquidez para o mercado cripto. Traders guardam seus lucros em stablecoins, e muitos contratos inteligentes de DeFi as utilizam.
Para se ter uma ideia, o Tether possui um valor de mercado de cerca de 185 bilhões de dólares e movimenta quase 88 bilhões por dia. Elas funcionam como o dinheiro vivo do ecossistema cripto. Seus altos valores de mercado mostram quantos tokens foram emitidos para dar suporte às negociações, e não uma demanda especulativa por valorização.
A presença delas no Top 10 deve ser lida com atenção. Por um lado, mostra o tamanho dos corredores de liquidez do mercado. Por outro, o ranking de uma stablecoin não mede avanço tecnológico ou adoção de uma nova plataforma, mas sim o uso de uma paridade. O aumento do market cap de uma stablecoin pode indicar medo no mercado (pessoas fugindo da volatilidade) ou expansão (mais capital entrando para negociar outros ativos).
Além disso, stablecoins dependem de reservas (como dólares ou títulos do tesouro) e estão sujeitas a mudanças regulatórias severas, com novas leis surgindo nos Estados Unidos e na Europa para uma fiscalização mais rígida.
O Que Observar Além do Preço: Adoção, Taxas e Endereços Ativos
O valor de mercado e o preço são apenas uma dimensão da análise. Para medir a saúde real de um projeto, olhe para as métricas da rede (on chain):
Endereços ativos: A quantidade de carteiras únicas transacionando diariamente. Um número crescente indica mais usuários na rede.
Contagem/Volume de transações: Quantas transferências ocorrem e qual o valor total movimentado. Volumes altos sugerem uso real (pagamentos, trocas) e não apenas especulação de preço.
Valor Total Bloqueado (TVL): Em plataformas de contratos inteligentes, o valor travado em protocolos DeFi mostra a utilidade econômica e a confiança dos usuários.
Receita de taxas: Blockchains que geram muitas taxas indicam alta demanda por espaço em seus blocos. O Ethereum, por exemplo, gera taxas altas porque é intensamente usado para DeFi e NFTs.
Atividade de desenvolvedores: O número de atualizações e colaboradores no GitHub. Comunidades ativas significam inovação contínua. Um código parado pode sugerir que o projeto morreu.
Métricas como endereços ativos e taxas são fundamentais para separar o que é uso sustentável do que é apenas “hype”.
Erros Comuns ao Confiar em Listas de Valor de Mercado
Mesmo com essas informações, muitos cometem erros clássicos:
Assumir que ranking alto = segurança: Estar no Top 10 indica atenção do mercado, não necessariamente segurança ou qualidade.
Ignorar a metodologia: Diferentes sites usam regras diferentes para definir o que é suprimento circulante. Sempre verifique as definições da plataforma que está usando.
Seguir movimentos de curto prazo: Correr para comprar uma moeda só porque ela acabou de entrar no Top 10 é arriscado. O movimento pode ter sido causado por manipulação momentânea.
Desprezar a liquidez: Não adianta o valor ser alto se você não conseguir vender o ativo quando precisar.
Não fazer a própria pesquisa: O Top 10 é uma lista, não uma estratégia de investimento. Nada substitui a leitura do whitepaper e a compreensão do uso real do projeto.
Lista das 10 Maiores Criptos por Valor de Mercado
| Rank | Cripto (Símbolo) | Valor de Mercado (USD) | Suprimento Circulante | Descrição Curta |
| 1 | Ethereum (ETH) | $247.8 B | 120.69 M ETH | Plataforma de contratos inteligentes; a maior depois do Bitcoin. |
| 2 | Tether (USDT) | $185.4 B | 185.71 B USDT | Stablecoin pareada ao dólar; a maior em uso hoje. |
| 3 | Binance Coin (BNB) | $91.66 B | 136.35 M BNB | Token nativo da Binance Chain; usado para taxas e utilidades. |
| 4 | XRP (XRP) | $82.31 B | 60.91 B XRP | Focada em pagamentos transfronteiriços (protocolo Ripple). |
| 5 | USD Coin (USDC) | $70.66 B | 70.66 B USDC | Stablecoin da Coinbase/Circle com reservas transparentes. |
| 6 | Solana (SOL) | $49.98 B | 566.54 M SOL | Blockchain de alta velocidade para DeFi e NFTs. |
| 7 | TRON (TRX) | $26.31 B | 94.71 B TRX | Plataforma de contratos inteligentes conhecida por taxas baixas. |
| 8 | Dogecoin (DOGE) | $16.53 B | 168.61 B DOGE | Moeda inspirada em meme; usada para gorjetas e micropagamentos. |
| 9 | Bitcoin Cash (BCH) | $10.01 B | 19.99 M BCH | Fork do Bitcoin focado em transações rápidas e baratas. |
| 10 | Cardano (ADA) | $9.73 B | 36.05 B ADA | Blockchain Proof of Stake focada em pesquisa acadêmica. |
Conclusão
Os rankings das 10 maiores criptos são um bom começo, mas não contam a história toda. O valor de mercado é apenas preço vezes suprimento circulante, e isso pode enganar se a liquidez for baixa ou se houver muitos tokens para serem liberados no futuro (risco de FDV).
Stablecoins como USDT e USDC ocupam o topo pela necessidade de liquidez do mercado, e não por inovação tecnológica por si só. Investidores espertos olham além do ranking, focando em volume, uso real da rede e métricas de adoção.
Glossário
Capitalização de Mercado (Market Cap): O valor total dos tokens circulantes de uma cripto (preço × suprimento circulante).
Avaliação Totalmente Diluída (FDV): O valor de mercado potencial caso todos os tokens previstos estivessem em circulação.
Volume (24 horas): O total negociado nas últimas 24 horas. Volume alto indica alto interesse e liquidez.
Dominância: Um indicador que mostra a porcentagem que uma moeda específica ocupa em relação ao valor total de todo o mercado de criptomoedas.
Perguntas Frequentes Sobre as 10 Maiores Criptos
O que é capitalização de mercado de criptomoedas?
É o preço atual multiplicado pelo suprimento circulante. Mostra o “tamanho” da moeda no mercado atual, mas pode ser enganoso se houver pouca liquidez ou poucos tokens disponíveis.
Por que nem todo projeto tem um suprimento máximo?
Algumas moedas, como o Ethereum, queimam tokens conforme o uso, o que permite que novos tokens entrem em circulação sem um teto fixo, enquanto tentam controlar a inflação.
O que é Valor Totalmente Diluído (FDV)?
É uma estimativa do valor de mercado se todos os tokens que o projeto planeja criar estivessem circulando. Ajuda a entender o risco de desvalorização por novos desbloqueios.
Por que as stablecoins estão tão altas no ranking?
Porque elas são o “dinheiro” do mercado. Ativos como o Tether movimentam bilhões diariamente para dar suporte às trocas entre outras criptos, o que exige um suprimento circulante enorme.
Como saber se uma moeda do Top 10 é um projeto saudável?
Além do valor de mercado, analise a liquidez (volume de 24h), a adoção real na rede (endereços ativos) e a economia do token (tokenomics). Redes saudáveis mostram crescimento real em uso e volume.

